André Barcaui e Marcos Rego publicaram recentemente um livro sobre Fundamentos de Gerenciamento de Projetos [1] que começa com uma interessante perspectiva histórica da disciplina. Segundo os autores, esta disciplina pode ter sido originada nos tempos antigos, onde pirâmides e aquedutos eram construídos mediante esforços bem organizados, fato que pode caracterizar o uso dos típicos métodos que atualmente formam parte do leque de conhecimentos da disciplina chamada Gerenciamento de Projetos.
Podemos concordar ou não com esta perspectiva, mas certamente o que ela revela é outra coisa muito mais interessante: o gerenciamento de projetos é uma abordagem que interpreta a realidade a partir de pressupostos básicos e que poderíamos chamar, digamos, de seus fundamentos. Com efeito. Atualmente há um conjunto de técnicas e ferramentas que nos informam das práticas corriqueiras, ou melhor, das melhores práticas que poderíamos aplicar no contexto de gerenciamentos de projetos, mas elas representam um esforço de abstração muito alto em torno das diretrizes principais que reguem as atividades de projeto.
No mesmo contexto histórico, quando os autores pensam em termos de Teoria da Administração, fazem uma pequena distinção entre os conceitos de projeto e produção. Por exemplo, se nosso projeto é montar uma fábrica de sorvete, após a fábrica ter sido montada se produz e comercializa o sorvete. E dessa forma se instala a distinção.
Inicialmente as disciplinas administrativas foram direcionadas ao gerenciamento da produção, mas a medida que se consolidou o modelo atual de produção de bens de consumo, a ênfase recaiu sobre o próprio projeto (no caso descrito, o de montar a fábrica que irá produzir) O fundamento principal do gerenciamento desse tipo de empreendimento é o tempo, ou seja, a duração das atividades que levam à finalização do projeto.
Com foco no tempo, o desenvolvimento tecnológico foi aprimorando a produção os bens de consumo, elevando sua qualidade, aumentando assim a demanda por novos produtos e reduzindo seus ciclos de vida da sua produção; A demanda por mais projetos começou a exigir mais e mais das organizações, que passaram a ser caracterizadas como elementos de uma adhocracia, isto é, organizações efêmeras criadas e encerradas com objetivos específicos, e este passa a ser a origem do conceito de projeto utilizado nessa disciplina e que na chamada escola escandinava de gerenciamento de projetos, se começa incluir o conceito de stakeholder, hoje conhecido como partes interessadas, uma das muitas áreas disciplinares da disciplina gerenciamento de projetos.
Interessante? espere só pelo que é visto em sala de aula sobre como gerenciar as partes interessadas de um projeto.
[1] Editora FGV, 2019.